A tarde da última quinta-feira (29) foi marcada por uma fatalidade na Praia Del Chifre, em Olinda. Deivson Rocha Dantas, um adolescente de apenas 13 anos que sonhava em ser jogador de futebol e era apaixonado por dançar “passinho”, perdeu a vida após ser mordido por um tubarão.

O jovem morava na comunidade da Ilha do Maruim, e estava com amigos no mar quando foi atingido na coxa direita. Apesar de ter sido resgatado rapidamente por banhistas e levado ao Hospital do Tricentenário, a gravidade do ferimento, que atingiu artérias importantes, causou uma hemorragia severa e o garoto já chegou ao hospital sem vida.
A Praia Del Chifre não é um local de banho comum, ela concentra todos os seis incidentes com tubarões registrados em Olinda desde o início das contagens em 1992. Localizada em um istmo (porção de terra estreita cercada por água em dois lados ) próximo ao estuário (onde a água doce dos rios encontra e se mistura com a água salgada do mar) do Rio Beberibe, a praia apresenta características ecológicas que a tornam um habitat natural para predadores.
De acordo com especialistas da UFRPE e UPE, o encontro da água doce do rio com a água salgada cria um ambiente de águas turvas, ideal para a caça do tubarão-cabeça-chata. Esta espécie é conhecida por se aproximar de áreas rasas e estuarinas, onde a baixa visibilidade faz com que o animal invista contra alvos sem identificá-los com clareza.
Além da configuração geográfica, fatores ambientais agravam o perigo. As correntes marítimas da região convergem para Del Chifre, acumulando lixo e material orgânico vindo do esgoto, atraindo os animais pelo olfato. O desequilíbrio ecológico gerado pela construção do Porto de Suape nas últimas décadas também é apontado como um fator que forçou a migração de tubarões para este trecho do litoral.
Com a morte de Deivson, o histórico da praia agora soma duas mortes e quatro casos de ferimentos graves. O caso de Deivson expõe uma realidade social dura: para os moradores da Ilha do Maruim, a praia é, muitas vezes, a única opção de lazer acessível. Vizinhos e familiares relatam que, embora existam placas de advertência, as crianças ignoram os avisos por não terem outros parques ou áreas de diversão.
Para evitar que novas famílias passem pela mesma dor, especialistas e moradores defendem que o poder público deve ir além da instalação de placas. É necessária uma fiscalização ativa com a presença constante de guarda-vidas, especialmente em períodos de maré alta e águas turvas. Além disso, a implementação de tecnologias de monitoramento, e o investimento em infraestrutura de lazer segura dentro das comunidades são caminhos essenciais para manter os jovens longe das águas de alto risco.
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