Em uma manobra que consolida o domínio da base governista, o plenário da Câmara Municipal do Recife decidiu, em sessão extraordinária nesta quinta-feira (5), manter o arquivamento do pedido de CPI destinado a investigar supostas irregularidades no concurso da Procuradoria-Geral do Município (PGM) de 2022. Com um placar de 24 votos a 1, os parlamentares aliados ao prefeito João Campos (PSB) barraram o recurso da oposição que tentava trazer transparência ao processo seletivo da gestão socialista.
A votação ocorreu em um clima de resistência por parte dos vereadores governistas, que se apressaram em classificar a tentativa de fiscalização como “espetáculo político” para evitar a abertura das investigações. No entanto, o arquivamento levanta um debate sério sobre a legalidade e o respeito à Constituição. Especialistas e parlamentares de oposição lembram que a instalação de uma CPI, quando possui assinaturas e fato determinado, não deve ser uma decisão política da presidência, mas sim um direito da minoria para fiscalizar o Poder Executivo.
Com o fim do debate, a base de João Campos deu a palavra final e impediu que a prefeitura fosse investigada. O presidente da Casa, Romerinho Jatobá (PSB), ignorou as denúncias e afirmou que não havia motivo para a CPI, deixando a oposição sem respostas e as suspeitas sobre o concurso sem uma investigação oficial. O arquivamento representa uma interferência direta no papel fiscalizador do Legislativo, privando a sociedade do direito à verdade e à transparência.
Foto: Reprodução
