A política recifense começou o ano legislativo sob forte tensão. Em votação realizada nesta terça-feira (3), a Câmara Municipal do Recife decidiu, por maioria, rejeitar o pedido de abertura de processo de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). Com 25 votos contrários e apenas 9 favoráveis, a denúncia foi arquivada antes mesmo de ter seu mérito analisado.
O pedido, protocolado pelo vereador Eduardo Moura (Novo), teve como base uma polêmica envolvendo o concurso público para Procurador do Município, onde o advogado Marko Venício, aprovado nas vagas para PCD, teria sido preterido (rejeitado), sendo nomeado no lugar dele ,Lucas Vieira Silva, filho de um juiz e de uma procuradora do MPCO.
Lucas teria solicitado a inclusão nas vagas de PCD por autismo dois anos após a inscrição, contrariando o parecer de procuradoras concursadas, mas recebendo o aval do Procurador-Geral do Município (nomeado pelo prefeito).
A denúncia ainda levantou suspeitas de conflito de interesses, mencionando que o pai do candidato beneficiado teria arquivado, pouco antes, investigações de irregularidades em contratos da prefeitura.
A sessão foi marcada por galerias lotadas e interrupções frequentes. De um lado, a oposição defendeu que houve “canetada” e favorecimento pessoal. De outro, a base do governo classificou o pedido como “vazio”, argumentando que o prefeito apenas assinou uma portaria administrativa padrão e que o candidato nomeado possuía nota superior na classificação geral.
Embora João Campos tenha voltado atrás e nomeado o candidato inicialmente aprovado após a repercussão negativa, a oposição buscou o impedimento alegando que o crime de responsabilidade já havia sido configurado no ato da primeira alteração.
Com o arquivamento, o prefeito segue no cargo sem o afastamento temporário que ocorreria caso o processo fosse admitido.
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