O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cancelou nesta quarta-feira (12) a autorização que permitia ao assessor sênior do governo americano, Darren Beattie, visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. A decisão ocorreu após um alerta do Itamaraty sobre o risco de interferência externa em assuntos brasileiros.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília (conhecido como “Papudinha”). Inicialmente, Moraes havia liberado o encontro, mas mudou de ideia após receber informações oficiais do Ministério das Relações Exteriores.

Segundo o Itamaraty, a visita de Beattie, que é um nome influente na gestão de Donald Trump, não tinha caráter oficial. O governo brasileiro apontou três irregularidades:
O visto de Beattie foi emitido exclusivamente para ele participar de um fórum sobre minerais em São Paulo, e não para visitas políticas.
O governo dos Estados Unidos não comunicou formalmente ao Brasil que o assessor pretendia se encontrar com o ex-presidente preso. A diplomacia brasileira entendeu que o encontro poderia ser interpretado como uma tentativa de pressão ou interferência indevida em decisões da Justiça brasileira.
A defesa de Bolsonaro tentou mudar a data da visita para ajustar à agenda de Beattie, mas Moraes negou o pedido. O ministro reforçou que visitantes devem seguir o calendário e as regras de segurança do presídio, e que não há “excepcionalidade” para autoridades estrangeiras passarem à frente das normas administrativas.
Com a nova decisão, o encontro está oficialmente proibido, e o assessor americano deverá seguir apenas com a agenda técnica prevista em seu visto.
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